Este Grupo Temático propõe refletir sobre as interseções entre mudanças climáticas e sexualidade humana, com ênfase nos impactos e desafios dessas relações na construção da Educação Sexual — tanto como componente curricular escolar quanto como prática educativa em espaços não formais. O GT parte da provocação: quais relações, impactos e desafios emergem para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30) quando se observam os debates sobre gênero e diversidade sexual sob a perspectiva da Educação Sexual? A proposta está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 5 (Igualdade de Gênero), e, no que tange às populações LGBTQIAPN+, aos ODS 1, 3, 10, 11 e 16. Um dos principais referenciais teóricos é O Contrato Sexual, de Carole Pateman, que é aqui compreendido como uma chave para pensar a resiliência e a força política na construção de uma educação que una a pauta ambiental à Educação Sexual. Também compõem a base teórica do GT os documentos internacionais de Direitos Humanos voltados à população LGBTQIAPN+, com destaque para o relatório “Nascidos Livres e Iguais”, da ONU. Espera-se receber trabalhos que analisem as relações entre clima, gênero e diversidade sexual, apontando os impactos e os desafios da inclusão da Educação Sexual (dentro e fora da escola) na formação de sujeitos políticos engajados na gestão dos recursos naturais e na construção de práticas sustentáveis que visem a continuidade da vida no planeta.
Este Grupo Temático visa discutir a pesquisa participativa como uma estratégia fundamental para o envolvimento ativo da sociedade civil na mitigação de desigualdades sociais e na resposta à emergência climática em consonância com os desafios globais da COP 30. Tem-se como objetivos i) apresentar estudos de caso que exemplificam como a pesquisa participativa pode contribuir para a redução de desigualdades sociais e ambientais, gerando ações concretas e resultados positivos nas comunidades; ii) identificar barreiras e desafios enfrentados na implementação de projetos de pesquisa participativa, sobretudo a Ciência Cidadã e discutir possíveis soluções e estratégias para superá-los, iii) estabelecer diálogos sobre como integrar iniciativas de Ciência Cidadã nas políticas públicas, promovendo uma abordagem inclusiva que considere as vozes das comunidades afetadas. A relevância deste GT está em sua capacidade de mobilizar diferentes atores sociais em torno de um tema central: a intersecção entre ciência, justiça social e meio ambiente. A inclusão de metodologias participativas, com destaque para a Ciência Cidadã nas discussões sobre mudança climática e desigualdade social é uma abordagem que pode gerar soluções mais efetivas e sustentáveis.
Este Grupo Temático objetiva discutir os problemas que articulam governança e território nos estudos da água. Os desafios contemporâneos relacionados à temática são marcados pelas incertezas e pela emergência climática, que engloba a degradação dos ecossistemas, o aumento do nível dos oceanos, e a incidência de eventos extremos, tais como inundações e secas extremas. Questão crucial no mundo contemporâneo, a água e o saneamento constituem um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS 6) por sua relevância nas manifestações objetivas de desigualdades sociais, no direcionamento de políticas públicas compensatórias, no acesso ao saneamento, na avaliação de riscos, no conflito de usos múltiplos, na geração de eletricidade, na preservação de mananciais e vulnerabilidade dos aquíferos, na conservação da biodiversidade, no desenvolvimento de novas tecnologia que minimizam as emissões de carbono, nas redes sociais formadas por atores que encontram no direito ao acesso à água a motivação principal, nas mais diferentes situações de estresse hídrico, etc. É um tema inesgotável e que se renova em permanência.
A Amazônia, maior bioma brasileiro com cerca de 4,2 milhões de km², abriga a maior diversidade biológica do planeta e concentra 81% das águas superficiais do país. No entanto, esse patrimônio natural vem sendo ameaçado por ações antrópicas e políticas equivocadas, especialmente durante o governo Bolsonaro (2019–2022), quando houve retrocessos nas políticas ambientais e o enfraquecimento do PPCDAm. Nas últimas duas décadas, a região tem sido alvo de estratégias de integração territorial voltadas à expansão de corredores logísticos para escoamento de commodities, acompanhadas pela construção de hidrelétricas, hidrovias e rodovias. Assim, o objetivo deste GT é analisar os avanços e os retrocessos das políticas socioambientais da Amazônia no Século XXI, projetando cenários futuros diante das perspectivas de arranjos políticos e institucionais a partir da realização COP30 na Amazônia, em novembro de 2025, na cidade de Belém-PA. Justifica-se a proposta pela importância da Amazônia como “um espaço que representa a simultaneidade de interesses nacionais e locais, regionais e globais” (MELLO, 2006, p. 23). O tema mostra-se relevante por possibilitar reflexões sobre políticas relacionadas ao desmatamento, áreas protegidas, ordenamento fundiário e territorial, mineração, biodiversidade, impactos da mudança climática, entre outros, no contexto da região amazônica.
A crise climática evidencia não apenas os impactos das atividades humanas sobre o clima da Terra, mas também a falta de efetividade política dos compromissos internacionais. Esses impactos, embora possam afetar a todos, atingem com mais intensidade as populações vulnerabilizadas. Essa desigualdade é conhecida como racismo ambiental e evidencia a importância da luta por justiça climática. Esse estado de emergência demonstra a necessidade de respostas urgentes em diferentes níveis e de um conjunto de medidas sócio-políticas de mitigação, adaptação e resiliência. Neste GT, convidamos pesquisadores e pesquisadoras a apresentarem e debaterem perspectivas teórico-analíticas, metodológicas e resultados de pesquisas sobre aspectos críticos e desafios para o enfrentamento da emergência climática em diferentes sistemas socioambientais. Incluem-se aqui trabalhos que discutam os seguintes temas: i) estratégias de mitigação priorizando a perspectiva multinível e multi-atores; ii) análises de percepções sobre a emergência climática pelos diversos atores que atuam no processo de governança climática; iii) concepções, enquadramentos e trajetórias de adaptação; iv) interfaces entre ciência e política nos planos e estratégias de mitigação e adaptação; v) interações entre saberes, práticas e experiências no enfrentamento da emergência climática; vi) interações entre adaptação com outros objetivos sociais e ambientais; vii) emergência climática, saúde e bem-estar; viii) indicadores e abordagens de monitoramento para avaliar capacidade adaptativa, e mensurar benefícios, co-benefícios e potenciais desserviços das estratégias de adaptação; ix) modelos e análises das políticas de adaptação; x) mitigação, adaptação e perspectivas multidimensionais de justiça; xi) impactos em territórios e grupos vulnerabilizados e a luta por justiça climática e contra o racismo ambiental: xii) limites da adaptação e experiências de mal-adaptação; e xiii) emergência climática, resiliência e trajetórias de sustentabilidade.
O capitalismo, em sua atual fase financeirizada, globalizada e autoritária, inaugurou uma nova rodada de cercamentos, diferentemente da situação elaborada por Marx, ligada ao trabalho dos meios de produção e às trocas mercantis. No contexto de hoje, outros elementos, além dos econômicos, tornaram-se centrais na análise, como gênero, raça, natureza, saberes, afetos, cuidado etc. A virada epistêmica da exploração para o terreno da expropriação, segundo Nancy Fraser, é essencial para a compreensão do capitalismo do século XXI. As crises ou os tempos vividos – de catástrofe (como a pandemia da covid-19 e a emergência climática) – abrangem fenômenos não só econômicos, mas também não econômicos, como a ecologia, a reprodução social e a política. Lugares, regiões, naturezas, povos, indivíduos – temas antes completamente ignorados – ganharam centralidade nas reflexões. As lutas pela natureza e pela garantia de reprodução de grupos culturalmente diferenciados têm implicado novas formas de resistências micropolíticas. Tais lutas contra a acumulação por espoliação e despossessões, protagonizadas por mulheres, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais no Brasil e na América Latina, com os seus saberes e práticas ancestrais e tradicionais, têm levado a inúmeros conflitos socioambientais. A noção de conflito socioambiental aqui utilizada, com suas características relacionais, situacionais, políticas e/ ou ontológicas, em alguns casos, auxilia-nos na identificação dos interesses em jogo, bem como na compreensão integral dos processos em curso. O objetivo deste GT, portanto, é cartografar e examinar as experiências práticas e as narrativas de resistências decorrentes dos conflitos socioambientais: além de serem essenciais no enfrentamento das formas dominantes de expropriação, possibilitam imaginar novas formas de confluir, distantes da opressão colonial do capital financeirizado e da emergência climática que nos ameaça.
A análise dos sistemas-mundo aporta para a área ambiental uma interpretação materialista histórica renovada que permite abordar aspectos críticos para uma compreensão de conjunto de processos contemporâneos, como a dominação neocolonial, os movimentos anticapitalistas, a questão racial em um contexto de relações entre o Norte e o Sul global. É um esforço de interpretação de movimentos históricos que ocorrem no espaço local, mas que podem ser interpretados em seu conjunto, pelas similaridades que guardam. O sistema-mundo coloca no centro de sua análise a divisão internacional do trabalho em países que são classificados como de capitalismo avançado, da semiperiferia ou da periferia. Por outro lado, a globalização e o poder capitalista transnacional agravaram os problemas sociais e ambientais, incluindo a mudança climática, com graves implicações ecológicas e socioeconômicas, migração e pobreza, desigualdades sociais, desemprego, exploração e degradação do trabalho, acumulação por despossessão, rentismo e neoextrativismo. Em suma, o questionamento da lógica da mercantilização da natureza. Este GT propõe colocar em perspectiva o sistema-mundo a partir das questões ambientais que ele suscita. Assim, visa discutir i) a necessidade de prover bens comuns em perspectiva local e global; ii) os impactos, do ponto de vista ambiental, gerados pela revolução técnico/científica/informacional; iii) o propriacionismo e substitucionismo na agricultura e outras atividades produtivas que fazem uso direto da natureza impondo processos de depleção dos recursos naturais; iv) as questões transnacionais e multiplicação de atores não estatais que agenciam biomas e recursos naturais; v) os processos de deslocamento humano impostos pelos grandes impactos antrópicos; vi) o neoextrativismo no Sul Global; e, por fim, vii) o capitalismo e crise ambiental na perspectiva do sistema-mundo.
Este Grupo Temático tem como objetivo fomentar e articular o debate em torno da questão energética no Brasil e no exterior, a partir de suas derivações – a política energética, a política ambiental e a política social – identificando os atuais impasses, problemas associados à flexibilização da legislação ambiental vigente e controvérsias relacionadas às formas tradicionais, alternativas e complementares de oferta e consumo energético. As consequências sociais e ambientais da produção, transporte e consumo da energia nas suas diversas formas têm adquirido grande destaque no debate atual. Nesse contexto, esse GT acolhe temas como a exploração na margem equatorial e a utilização de combustíveis fósseis, as emissões de gases de efeito estufa e sua contribuição para o agravamento da mudança climática e o papel das chamadas energias renováveis. Também se recebem trabalhos sobre as consequências sociais e ambientais dos empreendimentos hidrelétricos de grande e pequena escala, notadamente em ecossistemas frágeis como o Pantanal e a Floresta Amazônica. Por fim, são bem-vindos trabalhos sobre energia eólica, solar e hidrogênio verde.
A inteligência geográfica tem se consolidado como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento e implementação de políticas ambientais eficazes, oferecendo suporte técnico e analítico para a tomada de decisões estratégicas. Este GT propõe uma reflexão sobre o uso de técnicas de geoprocessamento, sensoriamento remoto, modelagem ambiental e análise espacial no monitoramento e gestão dos recursos naturais, na avaliação de impactos ambientais e na formulação de estratégias de mitigação e adaptação à mudança climática. A modelagem ambiental, aliada às ferramentas computacionais de geoinformação, permite avaliar a evolução da paisagem e prever os efeitos de intervenções humanas e mudanças climáticas sobre os ecossistemas e as populações. A natureza do tema exige a interdisciplinaridade de conhecimento e a transdisciplinaridade das ações. A caracterização geográfica das áreas envolvidas e o provimento de soluções integradas estão entre as premissas dos objetivos e das ações envolvidas. Contudo, uma das demandas sentidas é a necessidade de promover mecanismos “humanizados” de captura de inputs e ponderações, seja na concepção metodológica como na extensão da pesquisa para envolvimento com a comunidade. O objetivo principal do GT é reunir pesquisadores que desenvolvem e aplicam métodos de análise espaço-temporal para diagnosticar padrões ambientais, simular cenários futuros e apoiar ações de ordenamento territorial e conservação. A justificativa para este GT se baseia na crescente necessidade de embasamento técnico e científico para políticas públicas voltadas à sustentabilidade. O avanço das geotecnologias possibilita diagnósticos mais precisos e integrados, além de apresentar uma narrativa visual que facilita a implementação e adoção das políticas ambientais.
A crescente demanda global por recursos e por consequência as atividades humanas no oceano têm se mostrado substanciais e crescentes. O impacto cumulativo e sinérgico resultante dessas atividades tem levado à degradação do ecossistema, introduzido pressões em diferentes sistemas e escalas e afetado o bem-estar humano. Na maioria das vezes, esse impacto exacerba ameaças e vulnerabilidades já existentes em comunidades mais vulneráveis, gera poucos benefícios econômicos locais, contamina o ambiente e impede a promoção de uma sustentabilidade mais justa. Ao mesmo tempo, instrumentos de políticas e governança não necessariamente acompanham esse desenvolvimento, e acabam por não refletir as necessidades do tempo presente. Assim, esse grupo de trabalho busca discutir e analisar formas e ideias de superar o impacto dos problemas globais no oceano a partir de perspectivas socioecológicas e socioambientais enfatizando sistemas complexos e desafios contemporâneos numa escala planetária que possibilite encontrar, nas fronteiras do conhecimento, caminhos que levem práticas mais justas e sustentáveis nas distintas escalas. Pesquisas que apontem os conflitos ambientais no território costeiro e marinho, e indiquem caminhos para a sua transformação, que discutam práticas de gestão e governança colaborativas e participativas e ainda estudos de casos com boas práticas para uma gestão justa e sustentável serão discutidos à luz de teorias e métodos inter e transdisciplinares. O grupo de trabalho buscará refletir sobre os desafios de governança, em suas diversas escalas nacionais, regionais e subnacionais, o papel dos diferentes atores (governo, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e locais, movimentos sociais, organizações não-governamentais, operadores do direito, setor privado’ etc.), diversos arranjos e arquiteturas institucionais, públicos, privados, comunais e híbridos, buscando construir uma agenda de pesquisa para a necessária transformação para uma sustentabilidade justa. Ou seja, uma sustentabilidade construída dentro do marco dos direitos humanos e da natureza. Construir um debate sobre os fundamentos conceituais do que poderia significar a pesquisa de justiça planetária sobre sustentabilidade global, para avançar de um debate normativo para um debate empírico sobre quais conceituações de justiça é empregada por diferentes atores na política ambiental global. Temas como economia azul, justiça azul e/ou cognitiva e soluções baseadas na natureza fazem parte do escopo do GT, em especial para serem discutidos de forma crítica e com epistemologias do Sul Global. É nesse sentido que vale a pena abrir o diálogo no campo das Ciências Ambientais, trazer diferentes visões, e buscar entender os problemas socioecológicos e socioambientais e as respostas para os mesmos, que tenham um encaixe mais próximo da realidade e possam, então, ser cada vez mais eficazes no enfrentamento das mudanças globais considerando complexidade e interdependência, em especial, os modos de vida das comunidades costeiras.
À luz das intersecções entre as categorias sustentabilidade, neo-extrativismo, zona de sacrifício e resistência, este GT se propõe a discutir distintos contextos socioambientais, resultantes da realização de megaprojetos nas mais variadas regiões do Brasil e do mundo, que reconhecem os impactos desses empreendimentos em seus territórios. O GT concentra-se nas estratégias de enfrentamento mobilizadas frente ao avanço das empresas responsáveis pelos megaprojetos, bem como nas dinâmicas de pressão e dominação por elas instauradas. O GT busca refletir, particularmente, sobre contextos socioambientais moldados por processos de invisibilização e apagamento de grupos sociais já vulnerabilizados, com territórios e processos sócio-históricos tensionados, desgastados e impactados pelas diversas atividades e ações impostas pelo grande capital. No contexto da necessária transição energética, os parques eólicos, a mineração – ou mesmo a persistência no uso de petróleo –, seguem violando e adoecendo os territórios, ao passo que impõem a reorganização das relações sociais locais. Por outro lado, esses empreendimentos fazem uso do discurso da sustentabilidade, como se a simples aplicação do vocabulário fosse capaz de legitimar um processo exploratório que é, em suma, inviável. Problematizar e refletir sobre esse contexto, acirrado pela ascensão da extrema direita, segue como tema relevante. Assim, esse GT acolhe trabalhos que discutam as estratégias de resistência e enfrentamento elaboradas por grupos historicamente invisibilizados diante das externalidades impostas pelos grandes empreendimentos.
Este GT tem como objetivo discutir pesquisas teóricas e práticas sobre os comuns e o comum. Entende-se que refletir e analisar o ambiente na perspectiva do comum (como princípio político) e dos comuns (com práticas constituintes socioambientais) é uma das poucas opções que se tem para trilhar o futuro e evitar uma catástrofe planetária tendo em vista as múltiplas crises. Nesse contexto, uma temática antes restrita ao meio acadêmico e distante da vida cotidiana ganha nova urgência, revelando uma diversidade de experiências em curso — desde aquelas que ameaçam os bens comuns até as que expressam formas de resistência e inovação na sua preservação. Essas experiências são cruciais para compreendermos até que ponto é possível enfrentar a avassaladora ofensiva do capital, que articula práticas de exploração tanto legais quanto ilegais, como o pós-extrativismo, o garimpo criminoso, o desmatamento, entre outras. Sendo assim, os desdobramentos temáticos deste GT incluem trabalhos que abordam tanto a perspectiva dos comuns (plural) e da tragédia dos comuns, quanto do comum (singular). Salienta-se que vários ramos do conhecimento utilizam nomenclaturas idênticas ou semelhantes, tais como: ‘Global Commons’, ‘Commons’, ‘Comuns’, ‘bem comum’, comum, dentre outros para designar ora coisas iguais, ora coisas diferentes, apontando a amplitude da proposta.
Compreender o turismo, enquanto vetor de conflitos socioambientais, de resistências e de alternativas ao desenvolvimento, contempla estudá-lo numa perspectiva crítica (teórico-metodológica) que evidencie as dinâmicas e os contextos socioambientais locais e globais, sobretudo na perspectiva da mudança climática e do Antropoceno. O objetivo geral do GT é, a partir de estudos teóricos e aplicados, fomentar o diálogo sobre o papel do turismo na produção socioespacial e os seus impactos sociais, econômicos e ambientais. Portanto, justifica-se a reflexão sobre estudos em andamento – ou já concluídos –, assim como sobre dinâmicas locais, regionais e globais, que possibilitem uma compreensão mais qualificada do turismo enquanto fenômeno social que impacta, conflita e coexiste com outras dinâmicas ambientais, potencializando ações, projetos, políticas públicas, bem como a participação de determinados atores sociais, incluindo o próprio Estado e seus agentes.
A humanidade enfrenta um dos seus maiores desafios: a crise ecológico-climática. Essa crise, geradora de múltiplas vulnerabilidades e injustiças, é marcada pela transição da época do Holoceno para a época do Antropoceno, assim como pelo rompimento de seis dos nove limites planetários, incluindo as mudanças do clima. O desastre climático ocorrido no estado do Rio Grande do Sul em 2024, dentre outros eventos extremos observados em um curto lapso temporal, são exemplos claros dessa transição. Percebe-se, portanto, a urgência de se abandonar o paradigma dualista moderno, que separa os seres humanos da natureza, e compreender o valor da proteção da integridade ecossistêmica para o sustento da vida, adotando uma ética ecocêntrica. Nesse contexto, cabe ao Direito repensar-se como um Direito Ecológico, observando as suas limitações e necessárias rupturas. De tal modo, este GT tem como objetivo geral fomentar o debate sobre as possibilidades de um Direito Ecológico no qual a promoção da justiça seja devidamente contemplada no trato dos interesses da comunidade terrestre, em especial dos mais vulneráveis, de modo que se promova o pleno florescimento de todas as formas de vida pela garantia da integridade ecossistêmica e da dignidade em face das mudanças climáticas. Como objetivos específicos, propõe-se a) explorar os desafios e possibilidades de um Direito Ecológico para o século XXI em face da mudança climática, com vistas ao desenvolvimento de um modelo normativo apto a enfrentar a crise ecológico-climática em curso; b) compreender a relação entre seres humanos e natureza a partir das distintas territorialidades que afloram na sociodiversidade latino-americana; c) compartilhar experiências advindas do conhecimento dos povos indígenas e outras comunidades tradicionais em face da mudança climática; d) refletir sobre a relevância dos instrumentos democráticos para a construção de um Direito Ecológico plural e dialógico, e a proteção dos mais vulneráveis em tempos de crise climática.
GT 15 – Políticas Públicas de Educação Ambiental: planejamento, execução, monitoramento e avaliação de iniciativas estruturantes que fortaleçam as (r)existências
A superação das múltiplas crises contemporâneas exige a realização de processos de educação ambiental permanentes, contínuos e articulados nos territórios, como os engendrados pela Política Nacional de Educação Ambiental brasileira (Lei Federal n. 9.795/1999). Este GT é organizado por pesquisadores da Articulação Nacional de Políticas Públicas de Educação Ambiental (ANPPEA) e tem como objetivos i) verificar interfaces teóricas e conceituais adotadas em análises de políticas públicas de educação ambiental (PPEA) e os aspectos relacionados a arcabouços multi, inter e transdisciplinares na produção científica na área; ii) compreender limites e caminhos para processos de análise e avaliação de PPEA, incluindo todas as etapas de seu ciclo (formação de agenda, elaboração, implementação, monitoramento, avaliação e revisão); iii) discutir a descentralização, o policentrismo e a governança multinível dentro do escopo das PPEA; iv) capturar elementos que relacionem PPEA com o campo da complexidade e dos sistemas complexos; v) compreender as relações entre PPEA e estratégias bottom-up para o enfrentamento da crise civilizatória em curso; e vi) dialogar sobre a interface entre PPEA e políticas públicas étnico-raciais na construção de territorialidades. Esta proposta se justifica pela necessidade de fortalecer as instituições e iniciativas existentes de PPEA, de resistir à desmobilização e de se criar caminhos de (re)construção.
O surgimento de um conjunto de acordos multilaterais que abarcam países, empresas transnacionais e a sociedade civil organizada tem consolidado a ordem ambiental internacional. Frente aos múltiplos desafios impostos pelas crises ambiental e climática, a expectativa deste GT é aglutinar interessados em discutir pesquisas, conceitos, teorias e metodologias que, por meio da interpretação de ações de países e outros agentes internacionais, configuram a ordem ambiental internacional. Também serão aceitos textos que dedicam atenção à necessária revisão da atuação de atores internacionais, como agências multilaterais por exemplo, que buscam combater a desigualdade social e mitigar os efeitos da mudança climática, bem como engendram a cooperação em prol da conservação ambiental. Por fim, espera-se oferecer um profícuo diálogo interdisciplinar, que congregue pesquisadores de áreas como Direito Ambiental, Relações Internacionais, Geografia Política, entre outras, de modo a permitir reforçar metodologias em curso ou a revisão conceitual e teórica empregada em análises internacionais.
Os fenômenos e os impactos relacionados à prevenção, geração, coleta, disposição e reaproveitamento dos resíduos sólidos têm sido tratados setorialmente, de forma desarticulada, obstruindo uma visão sistêmica do problema e se refletindo em políticas públicas fragmentadas. Este GT pretende discutir esse contexto dada a complexidade da cadeia produtiva; o comportamento individual e coletivo; as características dos resíduos gerados; os impactos da Gestão de Resíduos Sólidos (GRS); os atores formais e informais envolvidos; a inclusão social; saúde pública e as regulações e políticas. Portanto, as discussões desse GT têm como objetivo atender a demanda acadêmica e dos setores público e privado por estudos mais aprofundados que relacionam o comportamento da população, os impactos socioambientais, as formas de trabalho, os atores sociais e o circuito econômico do planejamento e gestão de resíduos sólidos no contexto brasileiro. Busca-se i) refletir sobre como os resíduos sólidos são gerados e gerenciados, por meio de uma compreensão integrada e interdisciplinar; ii) discutir os impactos sociais, econômicos e ambientais dos RS; iii) analisar métodos e tecnologias para GRS; iv) discutir estratégias e práticas envolvendo políticas públicas, cadeias produtivas, gestão integrada de resíduos sólidos; ciclo de vida dos produtos (concepção do produto (design), circularidade de matérias-primas, processos de fabricação e tecnologias, organização logística, uso, descarte e pós-uso do produto); v) discutir como o lixo se tornou um problema próprio ao mundo moderno e os impasses para se encontrar soluções que integrem aspectos econômicos, sociais e ambientais; e, por fim, vi) avaliar como a PNRS está sendo implementada e a efetividade da hierarquia de tratamento de RS, em especial a redução, a reutilização e a reciclagem.
A paisagem não é um retrato imóvel, mas, sim, uma representação dinâmica e uma herança de processos geoecológicos e socioculturais dispostos no tempo-espaço. Nesse caso, as transformações identificadas nas paisagens possuem caráter multifacetado e multiescalar. Por isso, assumem real importância no entendimento das repercussões da mudança climática em contextos ambientais variados. As mudanças climáticas e ambientais provocam transformações – e, em alguns casos, metamorfoses – nas paisagens, comprometendo os componentes da biodiversidade e da geodiversidade, com repercussões severas na saúde e qualidade de vida das populações, nos diferentes territórios. Portanto, análises das paisagens em ambientes rurais e urbanos devem estar no centro do debate relacionado à emergência climática, sobretudo levando em conta os aspectos políticos e socioterritoriais que fazem emergir as desigualdades dessas transformações e impactos associados. Nesse âmbito, incentiva-se estudos baseados no conceito de paisagem, sobretudo, aqueles que reconhecem o risco de um colapso climático e ecológico e o avanço da desigualdade e pobreza como elementos importantes das transformações das paisagens em diferentes contextos nacionais e internacionais. Com base nesse cenário, este GT busca criar um espaço de diálogo que transite entre perspectivas epistemológicos, teórico-metodológicas e aplicadas acerca do temário, especialmente, aquelas que fazem uso da análise integrada. Outro importante destaque que se espera com o GT é a troca de experiências, técnicas e metodologias do uso das Geotecnologias na análise da paisagem, sobretudo àquelas associadas ao Geoprocessamento, Sistemas de Informações Geográficas e Sensoriamento Remoto. Almeja-se ainda a interdisciplinaridade, ou seja, que profissionais de diferentes áreas demonstrem a versatilidade desse conceito polissêmico que é a paisagem no trato de questões tão urgentes quanto as mudanças climáticas e ambientais.
Este Grupo Temático destaca a importância de se entender e definir “cidades globais” como aquelas que representam as questões contemporâneas, onde o urbanismo e o meio ambiente estão entrelaçados. Estas cidades não apenas enfrentam desafios em escalas intraurbanas, locais e metropolitanas, mas também causam impactos significativos em níveis regional, nacional, continental e global. Seu objetivo principal é promover uma discussão aprofundada sobre as problemáticas urbano-ambientais, incentivando a troca de experiências, e a disseminação de pesquisas aplicadas e estudos de caso que possam dar suporte a soluções potenciais. São bem-vindas pesquisas cujo objeto de estudo contribua efetivamente para a aproximação entre academia, sociedade, mercado e estado em busca de soluções sustentáveis para cidades globais (ex. adaptação à mudança climática, mobilidade, habitação de interesse social etc.). À medida que o mundo continua a se urbanizar rapidamente, questões como a sustentabilidade, a adaptação à mudança climática, a equidade e a governança urbana tornam-se cada vez mais prementes. As cidades, por serem centros de atividade econômica e inovação, mas também de desigualdades e incertezas, desempenham um papel crucial na determinação do futuro ambiental e social do planeta. Esse GT se justifica pela necessidade de compreender e abordar os complexos desafios enfrentados pelas cidades contemporâneas na escala global.
As apresentações de trabalho no Grupo Temático se configuram no momento de maior envolvimento da comunidade de estudantes, jovens pesquisadoras e pesquisadores que compõem os Encontros Nacionais da ANPPAS, destinado a alunos de graduação e ensino médio. Este momento é de fundamental importância para o envolvimento da comunidade acadêmica na construção dos Encontros Nacionais. A apresentação de trabalhos neste GT tem por objetivo estimular os jovens pesquisadores e pesquisadoras ao diálogo e ao debate de inegável contribuição nos campos temáticos ao qual se dedicam, alimentados por pesquisas e experiência de atuação. O GT busca acolher trabalhos com temas contemporâneos e relevantes para o campo de Ambiente e Sociedade em nível nacional e internacional, em diálogo com o tema geral do evento e afinadas às ementas dos GTs do evento, em busca da excelência, contribuição científico-política para esferas mais amplas da sociedade e pluralismo de ideias.#XIIENANPPAS